Mostrar mensagens com a etiqueta Meus poemas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Meus poemas. Mostrar todas as mensagens

domingo, 11 de junho de 2023

"PRINCÍPIO" - SOARES TEIXEIRA

 

Lembras-te?
Hesitámos, mas o sim do corpo
foi vinho
e nós, cerejas enlaçadas,
rolámos como lua única
de um planeta distante,
num outro sistema solar
 
Noivos de orvalho,
atirámos uma corda ao céu,
e por ela subimos
abraço a abraço,
beijo a beijo,
elevando-nos sempre
pelas alturas da nossa luz
 
Fontes do tempo
fomos o próprio tempo
e, de nós, completos,
saíam os estandartes
que anunciavam
o fim do sono do amor
e o princípio de outro mar
 
 
 
Soares Teixeira
(© todos os direitos reservados)
 
- a ser reeditado em livro meu a sair em 2023 -

terça-feira, 16 de maio de 2023

"OS LUSÍADAS", CANTO II - LUÍS DE CAMÕES




"OS LUSÍADAS", CANTO II







Canto II

Pretendendo que os portugueses caiam numa cilada, o rei de Mombaça envia um mensageiro a Vasco da Gama pedindo-lhe que a Armada lusa entre no porto, prometendo bom acolhimento em terra. Cauteloso, Vasco da Gama envia dois degredados à cidade. Ludibriados pelos muçulmanos e, novamente, por Baco, os enviados do Gama dizem que não há perigo em Mombaça. O invés disso a Frota lusa vê-se em grandes apuros. Vénus interfere novamente, com a ajuda das Nereidas, impedindo a desgraça para os portugueses após o que vai rapidamente do mar aos céus. Apresenta-se diante de Júpiter em grande sensualidade, encanto, sedução e usando de apurada arte de convencimento. Em lamentos queixa-se ao rei dos deuses dos enormes perigos que a Armada Portuguesa está a correr. Júpiter, cedendo aos seus rogos, abraça-a com ternura e tranquiliza-a, dizendo-lhe que os fados já destinaram aos portugueses grande sucesso e glória. Enquanto isso, Júpiter envia Mercúrio para que este avise Vasco da Gama da existência de Melinde, onde um rei lhe dará aquilo de que necessita. A frota dirige-se para Melinde onde é muito bem recebida. Muito generoso, o rei de Melinde disponibiliza ao Gama provisões e piloto para a viagem até à Índia. Mais tarde o rei vai bordo da nau capitânia e pede a Vasco da Gama que lhe conte sobre aquela sua viagem mas que antes disso lhe fale Portugal.


 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

"ESPERANÇA" - SOARES TEIXEIRA

 

 ESPERANÇA

 
 
Uma palavra
Maníaca por jogos
De cabra-cega e decifrar
Pega-me na mão e leva-me
Para fora do gradeamento dos minutos
 
Atordoado
Vejo o meu olhar reflectido
Num espelho que é um rio vertical
Onde peixes sobem e descem
E me observam intrigados
 
Não me atrevo
A sair daquele lugar
Onde me sinto infinito
À procura de qualquer coisa
Que não sei o que é
 
Chamo...
Uma palavra, e outra, e outra
E cerro as pálpebras e os punhos
E vou tentando adivinhar
Até que me faço relâmpago e grito
 
Esperança!
 
Peço desculpa à flor
Esmagada na minha mão já aberta
E ela
Que também sou eu
sorri
 
Ouçam-nos gritar os dois:
Esperança!
 
 
Soares Teixeira – 01 de Maio de 2023
(© todos os direitos reservados)

 

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

DIA ESPECIAL

 

  Hoje, num dia especial em que afectuosamente me despedi de algo em que muito trabalhei coloco aqui esta foto, em que tenho na mão O MEU VW-PORCHE (o mítico e belíssimo Porche 914). Achei-o recentemente numa daquelas arrumações em que se descobre o que não se espera. Este Kit foi-me oferecido em miúdo e construi-o sózinho (e tem comando). Olho-o com saudade e uma longa ponta de ironia. A sua história dava um pequeno romance


 

e porque hoje fui surpreendido com uma honrosa manifestação de apreço a um poema meu, de 'Alguém' que admiro, aqui o deixo porque não está muito longe do acima dito.

AVENTURA PORTUGUESA
 
Entrou-nos na alma o som do mar
E fomos porque era forte o chamamento
Tinha a força de um encantamento
O azul que nos fazia sonhar
 
Na praia a espuma vinha-nos contar
Que lá longe, também nesse momento,
Alguém estava a perguntar ao vento
O que haveria para lá de tanto mar
 
Levados pela vontade de ir mais além
Fomos juntar as mãos da Humanidade
Abrindo os caminhos da Descoberta
 
Contámos ao mundo o que o mundo tem
Sempre longe, ao portado da saudade,
Mas ao lado das aves, de alma liberta
 
Soares Teixeira
 
 

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

"HÁ POEMAS" - SOARES TEIXEIRA

 
 
Soares Teixeira
(foto de ST de 18-08-2022)
 

HÁ POEMAS
 
 
Há poemas que são praias onde costumo ir
caminho na areia    vejo o mar    sinto as aves
estendo as mãos ao Sol
deslumbro-me    espreguiço-me    desdobro-me
às vezes sou navio    outras arquipélago
É bom ter poemas assim
praias para andar por ali
por aquele chão    tão meu    tão secreto    tão real
andar por ali    a ser livre    a ser eu
até à matinal frescura da última palavra
 
 
Soares Teixeira – 07-01-2014 
(já publicado)
(© todos os direitos reservados)
 
 
 

terça-feira, 19 de julho de 2022

"SERÁ?" - SOARES TEIXEIRA


De novo

o murmúrio do sol

lento

a quase queimar

o corpo da recordação

 

Ah…, pudesse

uma indiferença

de mar

arrefecer o que sobrou

dos teus lábios

 

Foste também

equação que naufragou

na falta de solução.

Será que em ti existem

estes mastros quebrados?

 


----------

Soares Teixeira - 19-07-2022

(© todos os direitos reservados)

 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

"CIRCO" - CIRCO

 

Vistam-me verões

Calcem-me canções

Pintem-me primaveras

E eu

Visitarei os ventos

Inundarei os infinitos

Florirei nos futuros

 

O circo está cheio!

Estão prontos?

Vamos! Todos!

Toquem os tambores

Tragam trampolins

Saltemos! Saltemos!

Nós, os sonhadores!

 

Vejam!

Criamos cores!

Voa-nos a voz!

Abraçam-nos os astros!

Vejam!

Espalhamos magia!

Semeamos eternidade

         na nudez

                      da liberdade!

 

 

----------

Soares Teixeira - 18-07-2022

(© todos os direitos reservados)

 

 

 

domingo, 17 de julho de 2022

"GRILO" - SOARES TEIXEIRA

 

GRILO

 


Sou o último grilo do meu bosque

mas também o primeiro

 

Portas feitas de pensamentos noctívagos,

abrem-se para deixar passar

aquele que vem e aquele que vai

e os dois sou eu

e os dois olham-se num verso

e esse verso também sou eu

 

Onde estarão as sombras desses que se cruzam?

Algures por trás das palavras,

como pequenas aranhas adormecidas

no centro das suas teias?

No rosto enigmático

de antigas estátuas de bronze?

 

Todos os lugares, mesmo os não lugares,

são a superfície onde desenho

com o meu olhar de compasso

o círculo

onde começa a minha despedida,

onde o meu peso vai deixando de existir

 

Não me explico

 

Sou o último grilo do meu bosque

mas também o primeiro

 

 

----------

Soares Teixeira - 17-07-2022

(© todos os direitos reservados)

 

 

 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

"CONTIGO, LIBERDADE" - SOARES TEIXEIRA

 

Liberdade,

beijo-te as vogais,

acaricio-te as consoantes

e tu fazes-me o mesmo,

na praia que nos escolheu

para, descalços,

sermos a alegria

que o sol quer beber.

 

Mar, céu, horizonte,

olhem-nos;

somos um litoral,

de cabelos ao vento,

mãos dadas, riso solto,

- venham, venham connosco,

ser pássaro a cantar gesto,

na flor vermelha deste dia

 

 

----------

Soares Teixeira-25-04-2022

(© todos os direitos reservados)

 

 

Nota: 

Foi com alegria que escrevi este poema porém sem esquecer que enquanto o meu País celebra cravos livres noutras latitudes a guerra e as trevas são espinhos cravados no corpo e na alma. 




 

11 DE SETEMBRO - SOARES TEIXEIRA

11 DE SETEMBRO Setembro, dia 11. Ano de 2001. Estados Unidos da América. Gente a ser gente  caminha nos aeroportos. Entre essa gente a ser g...