Setembro, dia 30.
Setembrámo-nos, meu mundo.
Hoje, dia 30,
o tempo irá comer
a última maçã de Setembro.
O rio que sou
olha para as margens.
Lá estão eles:
numa margem o eu criança,
na outra o eu misterioso.
Três personagens
da mesma peça de teatro.
Quatro se contarmos com o tempo.
Quatro personagens,
que saem de onde estavam
e vão para um palco.
Doze bailarinos surgem.
Cada um deles é um mês do ano
e, juntos, celebram-no
numa dança simultânea.
Cósmica, simbólica, ritual.
Todos têm algo de diferente
e muito em comum.
Depois saem.
Deixam vibração enigma.
O eu rio, o eu criança, o eu misterioso
e o tempo
estão cada um no seu canto do palco.
Caminham para a maçã
que está no centro, no chão.
As personagens fundem-se numa só,
que, ao comer a maçã,
se transforma numa árvore.
A árvore observa estes meu dedos
no teclado do computador
e esfuma-se.
O palco fica vazio,
como se fosse uma folha em branco.
Com um beijo
o silêncio despede-se.
Soares Teixeira – 30 de Setembro de 2026
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