EQUAÇÃO
Mar
meu trabalho
minha profissão
de raíz líquida e flor estrelada
em que o caule era eu
minha distância salgada
entre o perto e o longe,
entre o agora e o depois,
entre o ser e o acontecer
Mar
quando penso
neste que sou e naquele que fui
neste que sobrou daquele que foi
vejo uma equação
a brilhar na curva de um caminho
e não sei se lhe chame
destino ou condição
não sei
talvez espinho
talvez vazio no calendário
onde eu e o meu contrário
tínhamos de ser outro ainda
porque aquela realidade
eram veias de outra dimensão
Mar
antepassados, navios e viagens
ondulam na lembrança
- de olhos fechados
recordo aquele tempo;
eu no mundo
com o mundo em mim
e a sorrir
uma claridade mostra-me
um brinquedo de criança
Soares Teixeira – 01-05-2026
(© todos os direitos reservados)

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