quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"SAUDADE" - Soares Teixeira



Quando o frio nos escolhe
para fazer ninho na alma
ficamos a habitar um quarto
feito de sussurros, agulhas e humidade
e a nossa matéria é côdea de pão antiga
esquecida debaixo de um aparador
Dentro do abandono
aquece o som de um grilo entre folhas secas
a ancestralidade do Sol e do mar
o olhar digno de uma árvore que se ergue em honradez

Saudade
do tempo em que os palhaços faziam rir



Soares Teixeira – 08-12-2016
(© todos os direitos reservados)

Sem comentários:

Enviar um comentário

QUASE UM POEMA DE AMOR - MIGUEL TORGA

  Quase um Poema de Amor Há muito tempo já que não escrevo um poema De amor. E é o que eu sei fazer com mais delicadeza! A nossa natureza Lu...