terça-feira, 2 de agosto de 2011
"O POETA E OS RATOS" - Soares Teixeira
Três ratos de olhar brilhante
como um estilete de aço
conspiram contra o poeta
Sete lágrimas afiadas
sete mares em cada braço
sete árvores plantadas
em sete palavras de aço
eis o poeta
De horizonte na lapela
com o amanhecer nos passos
com um sorriso a fazer de vela
e um toque de ironia
o poeta caminha
por trilhos de fantasia
espalhando verdades
que só outro poeta adivinha
e assim vai caminhando
por entre laranjais, mistérios
sonhos e adversidades
assim vai
seguido pelos ratos
que em três abraços
celebram a gorda maquinação
Assim é o mundo
assim gira e há-de girar
uma bola suspensa no ar
onde sempre haverá
um poeta a cantar
e três ratos a conspirar
Soares Teixeira
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